Opinião: "Viagem ao Infinito" de Jane Hawking

Terminei esta leitura com um misto de sentimentos. Admiração, pela Jane Hawking e pelo seu percurso de vida, e algum ressentimento por Stephen Hawking, cuja personalidade nunca me cativou e agora, de certa forma, me chocou.
Adorei o livro. A forma como está organizada a história, a honestidade que sentimos na voz de Jane Hawking, a maneira como ela consegue interligar os acontecimentos, tanto da sua vida particular e familiar, como da vida “de estrelato” do marido, à qual ela não pode escapar. Confesso que fiquei arrepiada com algumas das situações pelas quais Jane teve de passar, quase se anulando, vergando-se às vontades do “Senhor do Universo”, cognome para esse brilhante físico teórico que se chama Stephen Hawking.

É certo que ele vem lutando contra o destino desde que lhe foi diagnosticado ELA (esclerose lateral amiotrófica) quando tinha 24 anos, mas Jane foi uma grande aliada nessa guerra, não aceitando nunca o diagnóstico inicial de apenas 2 anos de vida para Stephen. Mesmo com essa sentença de morte sobre a sua cabeço, ela aceitou o desafio de embarcar numa viagem em conjunto, tendo conseguido intercalar uma vida dita “normal”, filhos e uma carreira, no cenário de uma guerra sem tréguas contra a ELA, durante mais de 25 anos.

Este livro autobiográfico de Jane Hawking deu origem ao filme A Teoria de Tudonomeado para 5 Óscares e  do qual saiu o Óscar de Melhor Ator Principal para Eddie Redmayne, que interpretou Stephen Hawking.
Por acaso tenho falado com alguns amigos e pelo que percebo a maioria preferiu ver o filme em vez de ler o livro. Eu optei por ler primeiro o livro e só depois ver o filme, e parece-me que fiz bem, pois pelo que li numa entrevista que Jane deu quando esteve há pouco tempo em Portugal, o filme deixa muita coisa de fora. Além disso, pelas críticas que li, o realizador centrou o filme no Hawking errado, o que na realidade seria expectável, pois Stephen é que é o génio da lâmpada… Jane só esteve por trás dele, como a Grande Mulher que foi e é.

Uma leitura a não perder. Uma história de vida arrepiante que servirá de exemplo para muita gente.
E vão mais 5 estrelas para o meu céu literário de 2015. J


Recado para o meu marido: Já podemos ir ver o filme!
Em www.bertrand.pt

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